este guia é baseado na aula do Prof. Ruan Felix e tem como objetivo ensinar a cozinhar de forma menos intuitiva e com mais intenção. embora nem todas as etapas sejam estritamente necessárias dependendo do prato, cada um dos “andares” da construção de sabor deve ser planeado para garantir o melhor resultado final.

1. refogado

o andar térreo da construção de sabor. o papel fundamental dos cortes, a dinâmica na panela para a caramelização correta e as bases clássicas mundiais (mirepoix, sofrito, divina trindade e bhuna masala).

2. gordura

veículo vital na gastronomia, os compostos de sabor se dissolvem melhor na gordura do que na água. funções da gordura (condução térmica, equilíbrio e emulsificação) e os perfis ideais de cada tipo (manteiga, dendê, azeite e óleos vegetais).

3. temperos secos

as especiarias se encontram em estado de dormência e necessitam de calor e gordura (técnica de toasting) no início do preparo para “acordarem” e libertarem os seus compostos aromáticos.

4. umami

o quinto sabor atua como um amplificador, garantindo profundidade e permanência gustativa no paladar. queijos, carnes, tomates e cogumelos são fontes naturais deste elemento.

5. acidez

a principal ferramenta de correção na cozinha. a acidez traz brilho e contraste aos alimentos, cortando a gordura na língua (limpador de paladar) e equilibrando pratos que estão pesados ou excessivamente doces.

6. ervas frescas

o elemento que dita o frescor do prato. a diferença de uso entre ervas resistentes (que entram no início do cozimento) e ervas delicadas (que entram no final para não perderem o sabor).

análise de pratos clássicos

quanto mais elementos um prato tiver, maior será a sua potência de sabor, mas não é obrigatoriamente necessário incluir tudo em todos os pratos. só se consegue fazer fusion food (comida de fusão) quando se entende a função exata de cada elemento.

  • moqueca baiana:
    • refogado: cebola, pimentões, tomate, gengibre, talo de coentro.
    • gordura: leite de coco e azeite de dendê
    • acidez: limão e molho de pimenta.
    • ervas frescas: coentro.
  • carbonara:
    • gordura: guanciale/bacon, gemas, parmesão/pecorino.
    • umami: parmesão/pecorino.
  • rámen:
    • refogado: dashi (pode não ter acidez).
    • gordura: óleo de gergelim, ovos.
    • umami: algas, dashi, tarê/shoyu.
    • ervas frescas: cebolinha.
  • tikka masala:
    • refogado: bhuna masala.
    • gordura: iogurte.
    • umami: iogurte, tomate.
    • acidez: tomate.
    • ervas frescas: coentro.
  • pesto genovês:
    • gordura: azeite, pinoli.
    • umami: parmesão. substituições para fusion food: missô ou levedura nutricional.
    • ervas frescas: manjericão.
    • variações: pesto rosso (inclui tomate seco) e pistou (molho francês de manjericão, azeite e alho).
  • falafel + molho tarator:
    • falafel: ervas na massa e preferir fazer na fritura (gordura) para não ficar seco.
    • molho tarator: tahine + limão + alho (não tem umami).